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COLUNISTAS - Marcos Casado

A construção sustentável e a crise hídrica e elétrica no Brasil



Em época de crise hídrica, como a que observamos hoje em vários Estados brasileiros – como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais –, a economia de 30% a 50% no consumo de água é um grande diferencial para as edificações. Temos alguns exemplos de empreendimentos que têm alcançado esta marca, como é o caso do Tietê Plaza Shopping e de prédios comerciais como o Cidade Jardim Corporate Center, ambos localizados na cidade de São Paulo.

Paralelamente, vemos uma série de influências no setor energético, uma vez que nossa maior fonte geradora é baseada em hidrelétricas. Já estamos passando por reajustes tarifários e a possibilidade da falta de energia é grande, caso o cenário não melhore. Diante disto, a economia de energia em cerca de 30% nesses empreendimentos também é uma margem importante conquistada.

Hoje, o mercado já enxerga na sustentabilidade um grande diferencial de economia nos custos operacionais. Nos edifícios que são ocupados pelos próprios donos, a economia operacional é significativa e o retorno do investimento é rápido e certo. Nos espaços ocupados por terceiros, esta redução de consumo passa a ser um grande argumento de locação, além de possibilitar um ganho melhor para o investidor, sem que ele precise, necessariamente, aumentar o custo.

Normalmente, a busca por construções sustentáveis é forte por parte de grandes multinacionais que levam em conta estes critérios em suas diretrizes de compra ou locação dos espaços que irão ocupar, mas a tendência é que isto passe a ser adotado por todas as empresas que buscam economia operacional ou melhoria de desempenho dos seus usuários. Já temos alguns exemplos na esfera pública. O governo do Estado de São Paulo passou a exigir que suas escolas e hospitais obtenham a certificação AQUA, e o próprio governo federal agora exige a etiquetagem PBE Edifica nível A para suas edificações.

Os números do mercado de construção sustentável não deixam dúvidas de que o setor está em forte crescimento no Brasil. Se contarmos todos os empreendimentos que hoje buscam alguma certificação ambiental para construção, tais como AQUA-HQE, LEED, PBE Edifica, Selo Casa Azul, etc., veremos que já passam de 1.600 empreendimentos.

Em menos de dez anos, desde o primeiro registro de um prédio verde no Brasil, o setor mostra a sua força. Em relação ao LEED, já somos o terceiro país no ranking mundial em empreendimentos registrados no USGBC para obterem este selo, só perdemos para os EUA e para a China.

Além do conceito já estar consolidado em prédios comerciais e corporativos, é cada vez mais comum vermos empreendimentos residenciais, públicos, hospitalares, industriais, escolares e centros de distribuição buscarem estes selos como diferencial para suas construções.

Para o setor industrial e de centros de distribuição, 2014 foi realmente um ano muito interessante, pois foram efetuados 128 registros de certificação para empreendimentos com estas tipologias, sendo que 39 foram certificados. Destacamos: a nova fábrica da GM em Joinville (SC), fábricas da Coca-Cola no Rio de Janeiro e Paraná, o CD da DOW Química no Guarujá (SP) e outros dois da Ralc em Arujá (SP). Este segmento da construção sustentável vem num forte crescimento, de cerca de 30% ao ano.

Embora o movimento de certificações tenha começado forte nos empreendimentos comerciais, hoje, a indústria é um dos seguimentos que mais têm adotado a certificação como um grande diferencial de imagem e, principalmente, de performance operacional.

Projeções

As certificações mais usadas continuam sendo o LEED e o AQUA, porém, com o incentivo da Caixa Econômica Federal, o Selo Casa Azul deve ganhar força no mercado de habitações populares, assim como o PBE Edifica, que passou a ser exigido em reformas ou novas construções de edifícios federais com mais de 500 metros quadrados a partir deste ano, e deve impulsionar a eficiência energética em edificações.

O retrofit sustentável é outra grande oportunidade de negócio para este setor, principalmente porque o parque construído é muito superior ao que está em construção. Estimamos que cerca de 10% dos empreendimentos em certificação no Brasil são de retrofits, e os demais apenas fazem ajustes operacionais ou pequenas intervenções no empreendimento para melhoria da performance, com objetivo de atender aos critérios das certificações.

Outra grande aposta para o mercado será o de obras de infraestrutura, como estradas, rodovias, aeroportos, portos, etc. É um setor que tem muito potencial para crescer no Brasil e que, por sua vez, é um dos que mais impactam no meio ambiente, devido à sua complexidade e ao tamanho. Mas a boa notícia é que hoje já temos, também para estas obras, modelos de certificações sustentáveis, como é o caso do LEED ND, AQUA Bairros, AQUA Aeroportos, AQUA Portos, Envision, Green Roads, etc., que podem garantir o crescimento que precisamos, sem necessariamente comprometer o futuro das próximas gerações.

Como podemos observar, a construção sustentável está passando por mudanças no Brasil e continuará sendo, nos próximos anos, o principal diferencial do mercado, que está cada vez mais exigente e que busca empreendimentos amigos da natureza.

Engenheiro civil e diretor técnico e comercial da Sustentech Desenvolvimento Sustentável - www.sustentech.com.br  - Tel.: (11) 3807-2823 

Tags: Sustentabilidade; Crise; Hídrica; Elétrica; Seca; Brasil

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